Este arquivo traz uma perspectiva provocativa e fundamental para equilibrar o debate sobre o desenvolvimento regional. Trata-se da entrevista “Celso Furtado é nosso melhor e nosso pior”, concedida pelo economista e físico Samuel Pessôa a Claudio Conceição e Solange Monteiro.
Diferente da visão puramente celebrativa, Pessôa oferece um olhar crítico e técnico sobre as teorias furtadianas, focando em produtividade e desenho de incentivos.
1. O Paradoxo de Furtado
- Samuel Pessôa reconhece Celso Furtado como o autor da mais importante contribuição do século XX para traduzir o subdesenvolvimento brasileiro, mas afirma acumular “muito mais discordâncias do que convergências” com o autor.
2. Crítica ao “Mecanicismo” e à SUDENE
- Acúmulo de Capital vs. Eficiência: Para Pessôa, a visão de Furtado focava excessivamente em acumular capital, sem dar o devido peso à eficiência microeconômica.
- O Legado da SUDENE: O economista argumenta que a SUDENE conseguiu subsidiar o investimento no Nordeste, mas falhou ao ignorar o desenho dos incentivos e a produtividade real.

3. O “Fator Humano” e a Governança
O Perigo do Dirigismo: Pessôa alerta contra o “voluntarismo” estatal. Segundo ele, investimentos feitos com incentivos errados geram falências e perdas para a sociedade, independentemente do volume de capital injetado.
Educação e Infraestrutura: A verdadeira chave para o desenvolvimento regional, segundo o entrevistado, é a melhoria do fator humano (educação) e a infraestrutura robusta, citando estados do Nordeste que já conseguiram reduzir a distância educacional em relação ao Sudeste.
Acesse o debate completo:
Entenda por que Samuel Pessôa considera Celso Furtado um autor indispensável, porém passível de críticas profundas.
Dica de Reflexão: O pensamento de Samuel Pessôa reforça a ideia de que a tecnologia, aliada a bons incentivos, é o que realmente move o ponteiro da produtividade regional. O futuro do Nordeste depende menos de subsídios e mais de eficiência.