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A moda como vitrine para o saneamento

Claudio Conceição por Claudio Conceição
13 de maio de 2025
em Cultura, Economia, Saneamento
A moda como vitrine para o saneamento

Há 15 anos a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) tem um programa socioambiental que leva o nome de Reciclocidades. Foi pioneira entre as empresas de saneamento a ter uma visão sobre a importância de se reciclar materiais, tornando um passivo em ativo financeiro.

No final do III Seminário Internacional Universalizar, realizado em Fortaleza, essa preocupação com o meio ambiente foi mostrada na passarela. 36 modelos desfilaram com roupas feitas com materiais que iriam para o lixo, gerando mais poluição e piorando as condições da água e dos sistemas de esgoto.

O desfile, ideia de Lucilene Palhano, mais conhecida por Lu, assistente da Superintendência de Sustentabilidade e Inovação da Cagece, uma jovem entusiasmada em mostrar outras externalidades que o setor de saneamento pode gerar, é o primeiro feito por uma companhia de saneamento no Brasil e, possivelmente, no mundo.

“É como se estivéssemos fazendo um furinho na bolha, já que o Reciclocidades trabalha prioritariamente com mulheres de alta vulnerabilidade social, em oito regiões na área metropolitana de Fortaleza onde o IDH é baixo – são cerca de 80 mulheres. Essas mulheres fazem bolsas, jogos americanos, que podem ser comercializados, cuja renda total vai para elas se venderem seus produtos que são oferecidos nas feirinhas a cidade.Foi um enorme desafio, pois nunca havíamos trabalhado com resíduos têxteis para fazer moda”, diz Lu.

As mulheres que fazem parte do programa são treinadas por pessoas da Cagece que tem dentro de sua estrutura oito artesãs, uma técnica social e uma pedagoga. Elas vão até a comunidade, levam todos os insumos necessários e promovem as oficinas, ensinando a confecção de produtos com materiais recicláveis.Mas não têm, ainda, expertise para a produção de roupas para um desfile.

“Eu acho que o desfile foi uma virada de chave. Mas para realizá-lo entre 100 e 120 pessoas foram mobilizadas. Dá muito trabalho. Contratamos um estilista aqui de Fortaleza, com mais de 30 anos de experiência, o Kallil Nepomuceno que tinha o desafio de criar uma coleção de moda a partir de resíduos. Ele visitou as comunidades onde moram essas mulheres. Viu o que faziam e selecionou o que poderia ser aproveitado. Depois elas foram até o ateliê dele e, juntos, começaram a criar as roupas que seriam apresentadas na passarela. Ou seja: foi uma coprodução entre o Kallil e essas mulheres altamente vulneráveis socialmente.”

A moda como fio condutor

Lu acredita que não podemos pensar que temos dois segmentos separados. Quando se traz a moda para dar visibilidade ao saneamento, que ainda é invisível para a maioria da população, há uma forte conexão. A indústria têxtil hoje é a segunda indústria mais poluente do planeta, responde por algo ao redor de 10% das emissões globais de gases de efeito estufa e consome 215 trilhões de litros de água e gera 9% da poluição dos oceanos, principalmente por microplásticos, segundo dados da ONU. Além disso, a produção em massa e a cultura de descarte intensificam a exploração de recursos naturais e afetam diretamente comunidades vulneráveis.

“Essa cultura do descartável não afeta apenas o meio ambiente de maneira ampla, mas também impacta diretamente os sistemas de esgoto sanitário. Resíduos como tecidos, plásticos e outros materiais descartados incorretamente acabam chegando à rede de esgoto, dificultando e encarecendo o processo de tratamento adequado da água. Isso sobrecarrega as estações de tratamento e compromete a eficiência do saneamento, um serviço essencial para a saúde pública e preservação ambiental”, explica Lu em texto que escreveu sobre o assunto. É bom lembrar, também, como tem alertado Neuri Freitas, presidente da Cagece, a qualidade da água está cada dia pior, o que encarece os processos de purificação nas estações de tratamento.

“Em função disso, quando fazemos um desfile com produtos reciclados, chamamos a atenção para essa questão, onde a indústria da moda tem que repensar os seus processos de produção para reduzir os níveis de poluição que gera. Nossos sistemas hoje não conseguem, efetivamente, tratar a água que tenha grandes quantidades de microplásticos. É importante deixar claro que não fizemos só um desfile de moda. Estamos chamando a atenção para o tema, levantando um debate importante, ambiental, social, tentando promover uma mudança de pensamento, promovendo a economia criativa”, afirma Lu.

A Cagece pagou cursos de corte e costura para as artesãs da empresa, comprou quatro máquinas de costura e, agora, já começou um movimento para procurar ampliar os canais de venda dos produtos que as mulheres produzem, especialmente pelas redes sociais.

Para que o desfile pudesse ocorrer, parcerias foram feitas, sem nenhum custo para a Cagece.

“Tivemos como parceiros a Fecomércio e o Senac, onde os alunos fizeram cabelo e maquiagem de quem desfilou. Também tivemos apoio da Federação da Indústria do Estado do Ceará (FIEC), a Vicunha, que doou o material, e a Pride, agência de modelos aqui de Fortaleza, que trabalha com diversos tipos de modelos. O desfile não teve um padrão: tinha modelos negros, trans, mais de 50, indígenas, obesos, todos profissionais – alguns nunca tinham desfilado, dando uma grande diversidade ao desfile, tanto de materiais como de modelos. Também tivemos apoio da Universidade Federal do Ceará (UFC).”

Para Lu o grande desafio é como transformar o saneamento em algo mais sedutor, já que por muito tempo o saneamento básico foi um tema pouco abordado, tanto por governos quanto pela sociedade. Ainda não é um tema que desperte grande apelo público – afinal quem quer falar de saneamento? Como transformar um assunto aparentemente árido em algo que seduza e engaje as pessoas? Esse é o nosso grande desafio, tornar esse tema interessante.

“A partir do olhar criativo das artesãs e do trabalho colaborativo com estilistas e designers locais, o que antes era rejeito virou símbolo. O que era invisível tornou-se inescapável. Essa é a força do Reciclocidades: usar a moda como espelho e megafone para as pautas ambientais, sociais e estruturais que não podem mais ser ignoradas.

Ao cruzar moda e saneamento, a Cagece nos lembra de que tudo está conectado. E que o futuro que queremos precisa, antes de tudo, passar por escolhas mais conscientes — nas roupas que vestimos, nos resíduos que geramos e nas histórias que decidimos contar”, diz Lu.

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