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A experiência de Atacama

Arnaldo Santos por Arnaldo Santos
15 de junho de 2025
em Saneamento
A experiência de Atacama

Uma delegação da Cagece, liderada por seu presidente, Neuri Freitas, esteve no Chile, entre os dias 26 de abril e 3 de maio, para se encontrar com autoridades locais e conhecer o projeto de dessanilização de água marinha, do deserto de Atacama. O Chile tem vasta experiência nesse processo, com 24 plantas atualmente em operação, a maioria delas para uso na atividade de mineração no norte do país. Outros 42 projetos de usinas de dessanilização estão em diferentes estágios, segundo a Acades, associação chilena que reúne empresas privadas na área de dessanilização e reúso de água.

“Visitamos a planta de dessanilização de Caldera, administrada pela Nueva Atacama, da holding Águas Nuevas, controlada por capital japonês, com capacidade instalada de 450 litros por segundo de água dessalinizada, mas com possibilidade de expansão até 1.200 litros por segundo. Essa planta, que está a pouco mais de 300 metros do Pacífico é instalada no município de Caldera, atendendo à população do próprio município, Copiapó e Tierra Amarilla que ficam a uns 60 quilômetros de distância”, comenta Neuri Freitas.

“A planta de Caldera fica ao lado do Pacífico. Os tubos de captação e emissário do rejeito ficam a cerca de 300 metros mar adentro e 75 metros distando um do outro. Aqui, no Ceará, vamos usar o mesmo processo, só que a diferença é que a nossa captação da água estará a 1.300 metros mar adentro e o rejeito a 800 metros, enquanto em Caldera a diferença entre a captação e o rejeito está a 75 metros. Outra diferença é que a profundidade dos pontos de captação e emissário, da planta chilena, é de cerca de 25 metros. Nós teremos que ir a 1.200 metros e, mesmo assim, a nossa profundidade será de 14 metros. Quanto mais fundo se vai, melhor a qualidade da água. Mas isso vai encarecendo o processo”, ressalta.

A planta de dessalinização que fornece água para o Atacama está localizada às margens do Oceano Pacífico, onde suas águas fluem de forma gravitária para um poço de captação, em que um tratamento preliminar retira areia e algas, seguindo-se então por bombeamento para um processo de ultrafiltração, que remove material em suspensão da água, sem, contudo, dessalinizá-la. Apenas em uma terceira fase do tratamento isto ocorre, no processo de osmose reversa, mesma tecnologia que a Cagece irá utilizar na Dessal Ceará a ser construída na Praia do Futuro.

Durante o processo de osmose reversa, a água marinha previamente tratada é submetida a altas pressões, forçando-a a atravessar as membranas permeáveis à água, porém não permeáveis à grande maioria dos sais presentes. Com isso são geradas duas diferentes corrente de água: uma com quase total ausência de sais, chamada tecnicamente de permeado, e outra contendo aqueles sais originalmente presentes e que não conseguiram atravessar as membranas, chamada de concentrado salino ou salmoura. Por fim, a água permeada passa por um processo de remineralização, no nível adequado para o consumo, além de adição de cloro e flúor e segue para o abastecimento das cidades. Já a salmoura, esta é devolvida para o Pacífico, também de forma gravitária por meio de um emissário submarino dotado de sistema difusor projetado para promover uma rápida diluição, de forma a alcançar concentrações próximas ao ambiente natural a baixas distâncias do ponto de liberação.

Sobre a salmoura, existe uma polêmica sobre os impactos na vida marinha, uma vez que a salmoura tem uma concentração maior de sal e outros elementos, como dizem os ambientalistas.

“Vimos lá que isso não causa nenhum dano ambiental. As tubulações que captam a água marinha e devolvem o rejeito para o mar acabaram atraindo vida marinha, como se fosse um recife artificial, com muitos peixes, mariscos, estrelas do mar, muita vida marinha. Entendo que isso foi uma prova de que não se pode falar em impacto ambiental negativo, e foi uma das coisas que mais me impressionou”, comenta Neuri.

Importante destacar que “no processo de osmose reversa (OR), na tecnologia usada na planta de Atacama, a água do mar é forçada a passar por membranas que retêm o sal e outras impurezas, produzindo água potável. Esse processo exige alta pressão, o que consome muita energia. Para reduzir esse consumo, utiliza-se a recuperação de energia. O princípio básico é aproveitar a energia da água marinha concentrada que sai do sistema ainda com alta pressão.
Essa água marinha concentrada entra no trocador de pressão isobárico, onde: 1) a pressão da salmoura é transferida diretamente para a água do mar que ainda não foi dessalinizada; 2) isso é feito sem troca de energia mecânica ou elétrica, apenas por contato entre os fluxos em câmaras rotativas.
Em uma planta moderna de dessalinização, como a do Atacama, o uso de um ERD (Energy Recovery Device) reduz o consumo de energia de cerca de 6 kWh/m³ para menos de 3 kWh/m³, com eficiência entre 95% e 98%)”, comenta José Carlos Asfor, diretor de Engenharia da Cagece.

Outro ponto de destaque é que o projeto da Dessal Ceará teve um atraso em função de uma polêmica com a Anatel e empresas de telefonia e internet, sobre a possibilidade de impactar a operação dos cabos submarinos de fibra ótica, que fazem a ligação do Brasil com o resto do mundo, mas com a mudança do local de instalação da planta, para o lado oeste da Praia do Futuro, a expectativa é que as obras se iniciem até agosto de 2025, após a nova anuência da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) e nova licença ambiental da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), devido à mudança realizada.

A visita da delegação da Cagece, que contou com seu presidente, Neuri Freitas, José Carlos Asfor, o diretor de Gestão de Parcerias, Luciano Arruda, o editor-chefe da revista Mais Nordeste, Arnaldo Santos, e o professor e pesquisador da Funcap, Patrício Vergara, teve uma amplitude maior.

A comitiva brasileira participou de um seminário sobre políticas públicas e tecnologias relacionadas ao abastecimento de água organizado pela Faculdade Tecnológica e pelo Centro de Governança da Universidade do Atacama, ocasião em que os diretores das empresas chilenas Nueva Atacama (Marcelo Basaure) e brasileira Cagece (Neuri Freitas) apresentaram seus processos e desafios. Na ocasião, foi assinada uma carta de intenções para promover a pesquisa e a troca de conhecimentos com os dois centros acadêmicos.

Uma segunda reunião ocorreu no Conselho de Política de Infraestrutura (CPI), um centro de encontro e diálogo para o desenvolvimento de estudos, análises e propostas na formulação de políticas públicas de longo prazo sobre infraestrutura e os serviços que dela decorrem.

O Conselho (criado em 2012) teve entre seus membros os últimos quatro presidentes da República do Chile, além de importantes ministros, empresários e acadêmicos. Tudo isso explica sua grande influência nas políticas públicas de infraestrutura do país.

O diretor-executivo do CPI, Carlos Cruz, ex-ministro de Obras Públicas, destacou em sua apresentação a experiência do Chile em políticas de saneamento básico, que tem uma grande contribuição do sistema privado, permitindo uma cobertura muito alta de água potável e esgoto por mais de três décadas. Cruz também enfatizou a grande experiência do Chile em dessalinização de água e ressaltou que ela é cada vez mais estendida para consumo humano e, em breve, para a atividade agrícola em áreas semiáridas.

A delegação também participou de um seminário sobre planejamento e desenvolvimento em municípios organizado pelo Centro de Governança, Políticas e Gestão Pública (CGPGP) da Universidade do Atacama e pela Associação de Municípios do Atacama (AMRA).

Na ocasião, a apresentação central foi feita por Patrício Vergara, pesquisador da Funcap, que falou sobre os desafios da política baseada em evidências em nível de municípios do Chile e do Brasil, acompanhado de comentários de Arnaldo Santos e de Luciano Arruda, da Cagece.

Em Santiago, a delegação brasileira se reuniu com o secretário executivo adjunto da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), Javier Medina, que conheceu os detalhes de como o Ceará desenvolve diferentes iniciativas públicas de inovação, várias das quais são de grande interesse para o Atacama e o Chile.

Do encontro surgiu o convite para que o governador do Ceará, Elmano de Freitas, apresente essa experiência na II Conferência Regional das Futuras Comissões Parlamentares, que acontecerá nos dias 26 e 27 de junho de 2025, na sede da Cepal, em Santiago do Chile. Este importante evento latino-americano reunirá especialistas e líderes parlamentares do continente para analisar tendências e desafios futuros em vários campos, com foco especial na governança antecipatória e prospectiva legislativa.

Cientista chefe para saneamento

O presidente da Cagece, Neuri Freitas, está abrindo outro flanco de trabalho. Buscar mensurar de forma mais clara o que representa o saneamento básico para o país e o Ceará.

“A gente já tem o cientista chefe na Cagece. Temos algumas parcerias com a Funcap. Está muito ligado a recursos hídricos. Estamos pensando em um projeto do cientista chefe para saneamento, não só recursos hídricos. O que é bem diferente. Temos muitas informações que se divulga no setor, mas ninguém confirma. Tem simulações de consultorias, mas ninguém sabe ao certo”, diz.

E prossegue: “Qual o teto de uma tarifa de água e esgoto que a população pode e está disposta a pagar? Que benefício de ter água e esgoto traz para a saúde, para a cultura, turismo, educação, trabalho, economia? A gente diz que para cada dólar quatro são economizados na saúde. Mas precisamos ter algo mais. Temos que ter trabalhos mais técnicos. Ter um cientista chefe para saneamento pode trazer inúmeros benefícios, mensurando melhor as coisas, com mais embasamento científico. Com isso podemos trabalhar melhor o setor.

O tema tarifa, por exemplo. Além da população, quanto a indústria e o comércio estão dispostos a pagar. Hoje a gente não sabe isso. Quando vamos avaliar um projeto tem essa lacuna. No papel cabe tudo”, concluiu.

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