O Nordeste está preso em uma série de problemas que barram seu crescimento. Embora reúna muitas vantagens comparativas, como a produção de energias renováveis, expansão dos centros de tecnologia e uso da Inteligência Artificial, ilhas de excelência em educação, população formada por cerca de 80% de jovens, grande desigualdade em relação as regiões mais ricas, como o Sul e o Sudeste, a região tem baixíssima produtividade de mão-de-obra, empresas ineficientes, uma infraestrutura deficiente, dificuldades de acesso ao crédito – tem os spreads mais elevados do país -, má alocação de recursos e baixa interação com o exterior.

São obstáculos que requerem política públicas direcionadas para cada Estado, dada a grande heterogeneidade entre os municípios nordestinos, como mostra relatório do Banco Mundial que mostramos nessa edição de fevereiro.
Minha geração sempre teve a esperança de que o Brasil se tornaria um país rico. Esse sonho começou a desmoronar com a crise da dívida externa nos anos 80, que derrubou a produção, gerou desemprego, queda da renda. O Brasil que era importador de capital, tornou-se exportador líquido de capital, os investimentos em relação ao PIB caíram de 24,2% em 1980 para 16,2% em 1989, e o endividamento externo cresceu significativamente chegando a US$ 300 bilhões em 1982, com PIB negativo por alguns anos.
Mas a ducha de água fria veio com o Plano Real. A economia se estabilizou, a inflação foi domada – em 1984 a inflação chegou na casa dos 239% – e o crescimento esperado não veio. Aí percebemos que estamos fadados a ser um país de renda média, como mostramos no bate-papo que tive com Samuel Pessôa.
Também analisamos as tentativas de se criar uma ordem mundial baseada no poder militar e econômico promovido por Donald Trump e suas consequências para o mundo. Alguns países tentam diversificar os destinos do comércio internacional e estabelecer novos acordos comerciais, enquanto outros buscam reduzir a dependência tecnológica por meio de maior desenvolvimento industrial.
O Brasil, um ano depois e contra todas as previsões iniciais, conseguiu em grande parte superar os impactos do “aumento tarifário” e está começando a acelerar o fechamento de acordos de livre comércio. Tudo isso teve e terá efeitos na economia dos estados do Nordeste, de forma diferenciada de acordo com sua estrutura produtiva e capacidades de reação.
Com isso, os estados nordestinos precisam revisar suas estratégias de desenvolvimento para enfrentar esse cenário complexo e incerto com maiores probabilidades de sucesso.
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