PIB do Nordeste e crescimento econômico: um novo Brasil em formação
O PIB do Nordeste e o crescimento econômico da região revelam um Brasil que mudou — mas que ainda não foi devidamente decifrado pelas lideranças políticas, econômicas e empresariais. A maioria delas ainda não desenvolveu a capacidade de dialogar com esse novo país, que tem outros valores e outras convicções.
Essa desconexão fica evidente quando analisamos políticas públicas e seu impacto na avaliação de governo. O que impactava eleitoralmente há 20 anos não impacta mais hoje. O brasileiro de agora quer empreender, buscar oportunidades. Essa nova cultura precisa ser decifrada pelas lideranças que querem representá-lo.

A descentralização do crescimento econômico no Brasil
No campo econômico, regiões que tinham pouca relevância no cenário nacional passaram a ganhar maior musculatura, ampliando sua fatia na composição do PIB do país — que cresceu apenas 2,18% ao ano entre 2003 e 2023. Esse movimento gerou mais empregos, reduziu a migração interna e descentralizou parte da produção industrial, fortemente concentrada no Sudeste, e da agropecuária, no Sul e parte no Sudeste, para outras regiões.
Isso se deve, em grande parte, ao avanço do setor agropecuário, como no Centro-Oeste, que levou o Brasil a se tornar o segundo maior exportador mundial de commodities agrícolas. No ano passado, foram exportados US$ 169,2 bilhões em produtos agropecuários — 48,5% da pauta brasileira, apenas US$ 2,1 bilhões a menos do que os Estados Unidos, maior exportador mundial.
Mais recentemente, a região do MATOPIBA — que reúne partes dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — vem crescendo em ritmo acelerado, com uso intensivo de tecnologia. Já é responsável por 19% da produção de soja do país. Nas últimas dez safras, a produção de soja na região cresceu 114%, ante uma expansão média nacional de 43% no mesmo período.
O PIB do Nordeste acima da média nacional
Mas essa mudança ainda é lenta. Entre 2003 e 2023, o PIB per capita do Brasil cresceu apenas 33,9%, segundo o IBGE. Tanto o Sudeste quanto o Sul ficaram abaixo dessa média, com crescimentos de 30% e 25,4%, respectivamente. O Nordeste ficou acima da média nacional, com expansão de 43,6% no acumulado do período.
Tomando como base a série histórica do PIB calculada pelo IBGE, o Brasil cresceu 58,2% entre 2003 e 2023 — média de apenas 2,18% ao ano. O PIB do Nordeste cresceu 63,4% no período, com participação de 13,8% no PIB brasileiro, ante 13,1% em 2003. Desde então, a região vem crescendo 0,15% acima da média brasileira.
Ainda assim, isso não tem mudado a concentração de renda no país: os 1% mais ricos continuam abocanhando entre 25% e 30% da renda total gerada no país. Metade da população continua com menos de 10%.
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