Em busca de novas tecnologias e troca de experiências para o saneamento, uma equipe da Cagece, capitaneada pelo seu presidente, Neuri Freitas, também presidente da Aesbe, esteve na Europa – Portugal, República Tcheca e Áustria –, onde são praticadas novas técnicas, tanto para o tratamento de água como para o esgoto. Portugal, depois que entrou na Comunidade Europeia, isso na década de 90, deu um salto na questão do tratamento da água, do esgoto e resíduos sólidos, chegando à universalização dos serviços de água e esgoto.
“Hoje Portugal está em um nível bem elevado. Antes, os níveis na área de saneamento eram muito baixos, não compatíveis com os países da União Europeia. Metas foram estipuladas e a União Europeia financiou os projetos para que Portugal superasse as dificuldades e conseguisse chegar à universalização de seus serviços de saneamento. Como já se passaram cerca de 30 anos desde que o processo começou, a preocupação agora é a manutenção dos ativos, com a renovação de equipamentos, mudanças de metodologias”, diz Freitas.
Na região do Algarve, a água é considerada como um alimento, o que leva com que os padrões de qualidade sejam altíssimos. A água que é distribuída à população pode ser bebida diretamente das torneiras, como já acontece em alguns países europeus. Há medições da qualidade da água, 100% automatizada, nos reservatórios e tubulações. Se algo sair fora dos padrões eles param o fornecimento e ajustam, por meio de reservatórios que chamam de pulmão. Outro ponto é que ao lado de cada tubulação que leva água, tem fibra ótica para que todo o processo seja automatizado.
Outra preocupação é com o consumidor. Há uma relação muito próxima entre a concessionária e a população. Não deixam mais de 50 casas sem água. Quando vai faltar água, avisam, individualmente, cada morador. Por aqui, avisam que o fornecimento será interrompido e a previsão é de normalização em até 72 horas. Como a água lá é tratada como um bem alimentar, há grande preocupação com o bem-estar da população.
Em busca de novas tecnologias e troca de experiências para o saneamento, uma equipe da Cagece, capitaneada pelo seu presidente, Neuri Freitas, também presidente da Aesbe, esteve na Europa – Portugal, República Tcheca e Áustria –, onde são praticadas novas técnicas, tanto para o tratamento de água como para o esgoto. Portugal, depois que entrou na Comunidade Europeia, isso na década de 90, deu um salto na questão do tratamento da água, do esgoto e resíduos sólidos, chegando à universalização dos serviços de água e esgoto.
“Hoje Portugal está em um nível bem elevado. Antes, os níveis na área de saneamento eram muito baixos, não compatíveis com os países da União Europeia. Metas foram estipuladas e a União Europeia financiou os projetos para que Portugal superasse as dificuldades e conseguisse chegar à universalização de seus serviços de saneamento. Como já se passaram cerca de 30 anos desde que o processo começou, a preocupação agora é a manutenção dos ativos, com a renovação de equipamentos, mudanças de metodologias”, diz Freitas.
Na região do Algarve, a água é considerada como um alimento, o que leva com que os padrões de qualidade sejam altíssimos. A água que é distribuída à população pode ser bebida diretamente das torneiras, como já acontece em alguns países europeus. Há medições da qualidade da água, 100% automatizada, nos reservatórios e tubulações. Se algo sair fora dos padrões eles param o fornecimento e ajustam, por meio de reservatórios que chamam de pulmão. Outro ponto é que ao lado de cada tubulação que leva água, tem fibra ótica para que todo o processo seja automatizado.
Outra preocupação é com o consumidor. Há uma relação muito próxima entre a concessionária e a população. Não deixam mais de 50 casas sem água. Quando vai faltar água, avisam, individualmente, cada morador. Por aqui, avisam que o fornecimento será interrompido e a previsão é de normalização em até 72 horas. Como a água lá é tratada como um bem alimentar, há grande preocupação com o bem-estar da população.
Em Portugal há empresas que são chamadas de “alta” (atacado) e de “baixa” (varejo). Todas as primeiras são públicas. As “baixas” podem ser públicas ou privadas. A Empresa Portuguesa de Águas Livres S.A. (Epal) é de alta em vários municípios, mas em Lisboa é privada. Só há um regulador.
“Como há muita setorização, em zonas com dois mil a dois mil e quinhentos clientes, eles utilizam muitas válvulas de controle operacional, que quando ocorre algum problema deixa pouca gente sem água, conseguindo avisar com antecedência. Chegam até avisar o horário em que a água deve voltar. Muita eficiência. Além disso, os níveis de perda de água são bem baixos, variando entre 10% e 12%. Outra coisa interessante: eles possuem uma válvula que corta a água de determinado ramal. Não mexem no hidrômetro como aqui. O mesmo processo vale para os prédios, onde há uma válvula, numa caixa em cada andar e apartamento, que eles chamam de olho de boi, onde fazem o corte da água. Se alguém mexer, começa a inundar o apartamento, o prédio. Ninguém nem chega perto”, enfatiza Freitas.
As diferenças
As razões para isso começam pela própria qualidade da água bruta de Portugal, de melhor qualidade que a brasileira, por exemplo, embora haja uma tendência de piora gradativa da água bruta em todo o mundo. Mas a água bruta de lá é bem melhor que a do Ceará, por exemplo, onde está a Cagece. E isso já é um grande ganho.
“Além da qualidade da água bruta, não há uma tecnologia superinovadora, mas sim um processo bastante rigoroso. Um exemplo disso é que aqui a gente oxida a água bruta para tirar matéria orgânica, algas, com cloro. Lá, nas estações que visitei, eles não usam cloro, mas ozônio e, também, na filtração, usam carvão ativado, que aqui não usamos. Há situações que eles usam na decantação em alguns procedimentos um pouco diferentes dos nossos, que acabam tendo mais eficiência.
Outro procedimento, que é um pouco diferente dos nossos, e que acaba tendo mais eficiência, é que durante o processo de filtração da água eles usam um processo de flotação, que é elevar a sujeira da água para um nível superior. Com isso, a sujeira não se acumula no filtro, que fica mais limpo, melhorando o desempenho operacional da estação de tratamento”, explica.
Na verdade, não se viram tecnologias superinovadoras ou desconhecidas. O tratamento da água por ozônio já é conhecido por aqui. A Cagece já tentou fazer isso, mas não conseguiram ir adiante.
Exceção a isso, é uma nova tecnologia que a empresa AST desenvolveu que é o tratamento de água por plasma, que fica mais barato que a oxidação por ozônio. É um outro produto que não gera subprodutos, como o cloro gera, como o THN, que dizem ser cancerígeno. É um produto químico que, jogado na água, vai oxidá-la, tornando-a mais limpa.
“Hoje, como o que vi em Portugal, o ozônio e o carvão ativado seriam boas opções para serem testadas por aqui. Hoje utilizamos a ultrafiltração que deixa a água muito limpa, mas que é cara, pois utiliza muita energia. Não é tão cara como o processo de dessanilização da água.
Também vimos que há um processo de membranas de ultrafiltração, que chamam de zero energia, que não necessita de tanto bombeamento da água, o que leva a um custo quase zerado de energia. Fizemos uma proposição de recebermos esses equipamentos aqui na Cagece para fazermos testes. O memorando de entendimento está sendo finalizado e, possivelmente dentro de um mês, poderemos receber os primeiros equipamentos.”
Como lembra Freitas, “precisamos de projetos melhores, com novas tecnologias, geração de energia, maior eficiência”.
Esgoto
No caso do esgotamento sanitário são utilizados lodos ativados, que em Portugal leva o nome de lamas ativadas. Mas tem diferenças do que que fazemos por aqui.
“Me impressionou muito. As estações de tratamento deixam a qualidade da água tratada dos esgotos para ser devolvida à natureza com uma qualidade excepcional. Fomos em uma estação nos Alpes suíços, em GroBarl, e o esgoto tratado era jogado em um riacho de degelo. A estação retirava 97% dos nutrientes, removendo toda a matéria orgânica, patógenos. E com custo bem baixo, baixa utilização de energia, de produtos químicos. Fiz proposição para a AST se ela não gostaria de fazer um projeto para a Cagece, que poderíamos testar em uma cidade pequena aqui do Ceará. Fiquei muito impressionado com o tratamento de esgoto, com a qualidade de água de reúso, e a preocupação no tratamento de fármacos, anti-inflamatórios, antibióticos, hormônicos, que aqui nem chegamos perto. Lá é uma grande preocupação”, explica Freitas.
A missão da Cagece também esteve na cidade de Prostejov, na República Tcheca, onde é empregada uma tecnologia para tratamento de esgoto chamada C-TECH, onde a água sai com uma qualidade excepcional. Como faz muito frio por lá, eles aquecem a água do tratamento do esgoto, geram gás com biodigestor e armazenam gás para a geração de energia, sendo autossuficientes em energia. A água tratada é jogada em tanques de peixes.
No Algarve, as estações de tratamento de esgoto fornecem a água tratada para irrigar os campos de golfe.
Desafios e novas tecnologias
A intensa presença de substâncias tóxicas na água potável e aterros sanitários causada pela crescente industrialização e o uso extensivo de produtos químicos, estabeleceu o tratamento de águas residuais e solo contaminado como uma preocupação urgente e desafiadora das sociedades. A remoção de contaminantes do solo e das águas residuais em estações de tratamento modernas é frequentemente incompleta, particularmente com referência a compostos orgânicos complexos. Considerando sua compatibilidade ambiental, alta remoção de contaminantes e alta eficiência energética do processo, o plasma frio é considerado um método de remediação promissor. Para esse fim, querendo atingir resultados ótimos, vários esforços foram registrados descrevendo o desenvolvimento de diferentes sistemas de remediação de plasma examinando meticulosamente e com diferentes pontos de vista várias configurações de reatores, tipos de descarga de plasma gerados dentro ou fora do meio contaminado, na presença ou ausência de catalisadores etc.
Ozônio – começou a ser conhecido em 1837, demorando 30 anos para ser considerado uma substância química. Em 1886 foi descoberto como potente agente para desinfecção da água. A primeira instalação industrial de ozônio ocorreu em 1893, na Holanda. Basicamente o que diferencia o ozônio dos diversos outros agentes desinfetantes, é o seu mecanismos de destruição dos micro-organismos. Dependendo do tipo de micro-organismo, o ozônio pode ser 3.125 vezes mais rápido do que o cloro na inativação de células.
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