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Falar do Brasil sem ouvir o sertão é como estar cego em pleno clarão

Ícaro Jatobá por Ícaro Jatobá
12 de abril de 2025
em Entrevistas
Falar do Brasil sem ouvir o sertão é como estar cego em pleno clarão

Entrevista com Targino Gondim

Quando se fala em Bossa Nova, o Rio de Janeiro é o primeiro lugar que vem à mente. Mas, desta vez, estamos a centenas de quilômetros das praias cariocas, em pleno sertão da Bahia. Bem-vindos a Juazeiro, uma cidade com pouco mais de 230 mil habitantes, que carrega um ritmo único às margens do imponente rio São Francisco. Do outro lado da margem do Velho Chico está sua cidade irmã, Petrolina, em Pernambuco.

Alguns profissionais da cultura da região dizem que foi o embalo das águas ritmadas do Velho Chico que inspirou o som de um dos nomes mais ilustres nascidos no município, João Gilberto, considerado um dos pais da Bossa Nova. Mas não é somente a bossa que é nossa. Juazeiro é também terra da rainha do axé, Ivete Sangalo; de Luiz Galvão, um dos fundadores dos Novos Baianos; dos famosos jogadores de futebol Petros e Daniel Alves.

Com tantos nomes artísticos, Juazeiro tem forte vocação cultural e de impacto na Região Nordeste, embora o atual momento do município não seja dos melhores. Com as finanças em frangalhos, a principal festa da cidade, o Carnaval, que abre a festa momesca na Bahia, foi cancelada este ano pelo atual prefeito da cidade, Andrei Gonçalves (MDB), devido a um buraco no caixa de R$ 300 milhões em dívidas, o que fez o município entrar em estado de calamidade pública. Assim, Juazeiro se junta a outras 24 cidades brasileiras que decretaram calamidade financeira este ano.

Apesar dos desafios econômicos que se impõem, o campo cultural, turístico e artístico vê com otimismo o futuro, isso porque a Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes (Seculte) do município será  dirigida por uma figura carimbada em grandes eventos e premiações nacionais, o compositor, cantor e sanfoneiro Targino Gondin, que há muito tempo foi atraído a essa cidade, principal polo urbano de todo o sertão, junto com sua vizinha Petrolina, mas com carisma de cidade pequena que acolhe com facilidade pessoas de todo o país

Vencedor do Grammy Latino com a canção “Esperando na Janela”, Troféu Caymmi e Prêmio da Música Brasileira, Gondin participou de filmes como “Eu, Tu, Eles”, “Gonzaga: de pai pra filho”, “Viva São João” e da minissérie da Globo “Amores Roubados”. Apresentou programas de TV no Canal Futura, como “O Tom da Caatinga”, “Sou Forró” e “Sou São João”. Lançou discos e tornou-se uma das atrações das festas juninas pelo Brasil. A Seculte é seu primeiro cargo político, depois de tentativas frustradas a cargos eletivos em 2018, 2020 e 2022, de olho na recuperação cultural do município dentro e fora da região.

Para acompanhar o novo momento em sua carreira e saber a sua visão cultural sobre a Região Nordeste, Mais Nordeste entrevistou Gondin na sede da Seculte, onde nasceu e morou João Gilberto. O casarão clássico datado da década de 1920, localizado em frente à catedral da cidade, abriga também o singelo Memorial Casa da Bossa Nova, dedicado à obra de João Gilberto, com alguns vinis e fotografias do cantor e sua família. 

Targino, o compositor e cantor mineiro Vander Lee disse na letra da música “Sertão” que: “Falar do Brasil sem ouvir o sertão é como estar cego em pleno clarão. Olhar o Brasil e não ver o sertão é como negar o queijo com a faca na mão”. O que esse verso significa para você?

Vander Lee foi muito feliz quando escreveu isso, porque é uma forma do jeito que a gente que pensa, que age, que movimenta de certa forma a nossa cultura, o nosso povo aqui no Nordeste, a gente sabe quanto é importante a força da cultura, dos costumes do Nordeste, do sertão principalmente, para todo o Brasil. Eu ainda acho que existe um certo preconceito com a nossa música, com o nosso povo, com o nosso sertão, com o jeito de olhar, de enxergar toda a luz, toda a dimensão que a gente tem. Essa música significa um reconhecimento. Ela enaltece o nosso Sertão, nossa região tão rica, tão maravilhosa, tão poderosa, mas por vezes desprezada.

Ampliando essa afirmação e saindo do Sertão para o Nordeste como um todo, como você ­avalia a potência cultural, política, gastronômica, social nordestina?

Assim você mexe com o meu sentimento, com a minha sensação. O Nordeste sempre teve essa força cultural, gastronômica e social, desde os seus primórdios. Mas isso tudo veio à tona quando Luiz Gonzaga surgiu no cenário nacional, na década de 1940. Foi quando Luiz Gonzaga trouxe à tona todo o nosso poder e autoestima, seja pelas manifestações mais oriundas dos forrós pés de serra, seja pelas forças das capitais, tudo isso foi se formando. Gonzaga trouxe à tono tudo. Ele deu força para o PIB cultural nordestino, que eu imagino significar muito para o nosso Brasil. Então, em um conjunto, seja por meio dos artesanatos, com os bonecos de Vitalino como exemplo, seja por meio da gastronomia, seja por meio da religião ou da política também, das obras feitas ou não feitas, tudo decorre da relevância que Gonzaga trouxe para o Nordeste. Foi inclusive pelo trabalho de Gonzaga que hoje também sou sanfoneiro, porque eu conheci a obra de Luiz Gonzaga com o meu pai, que sempre foi fã de Gonzaga, que por sua vez aprendeu a tocar sanfona com o irmão adotivo de Luiz Gonzaga. Claro que de lá para cá foram muitos entendimentos, foram várias mudanças, foram várias formas de ver, de enxergar as soluções para o Nordeste. Hoje a gente enxerga que o Nordeste é imenso.

Ao longo da sua longa carreira como músico e intérprete, considera que houve uma mudança na imagem de um Nordeste onde a pobreza e a fome eram o destino final?

Hoje vemos o nosso real tamanho. A gente tem uma outra compreensão do Nordeste e percebe que até o semiárido é importante e não só culturalmente, pois hoje a região é viável para grandes e pequenas empresas. O fato de termos o maior polo da fruticultura brasileira aqui na região do Vale do São Francisco, por exemplo, é um sinal desse avanço. Isso gera emprego e renda e faz com que a migração do nordestino para o Sudeste seja bem menor.

Como você avalia a importância da valorização da cultura no desenvolvimento social de uma cidade, estado e país?

A cultura é tudo. Ela faz parte do nosso dia a dia, da nossa rotina, em todos os cantos do Brasil. Dessa forma, o desenvolvimento social obrigatoriamente passa pela cultura. Quando a gente consegue fortalecer a cultura, consegue defendê-la, expandi-la, a gente consegue fazer com que ela chegue de uma forma educacional e didática para todos, especialmente para as crianças. Ao fazermos as pessoas terem um encontro com a música, com a arte, com as artes plásticas, com o teatro, com a dança, a gente está promovendo uma mudança social. A gente está naquele momento transformando vidas.

Apesar do campo cultural ser um grande expoente nacional, como podemos furar uma bolha existente no eixo Rio-São Paulo que apresenta o Nordeste apenas como cultura local? Você por exemplo já foi indicado ao Grammy Latino três vezes e ganhou essa premiação internacional com “Esperando na Janela”, em 2001. Como o Nordeste pode ir além do próprio Nordeste e Brasil?

Infelizmente isso se trata de um preconceito. O eixo Rio-São Paulo tem uma forma de pensar muito típica dele. Claro que isso não se emprega a todos, mas para eles o nordestino e o Nordeste tendem a ser vistos como uma coisa que não é dali, sendo que o Nordeste é muito mais do que sua localidade geográfica. A gente acaba furando essa bolha quando eu, por exemplo, vindo de Salgueiro, criado em Juazeiro da Bahia, de repente ganho um prêmio como o Grammy Latino com uma música criada por mim, em ritmo de xote. Até então, 2001, nunca tinha se imaginado que um forró, um xote, chegaria a esse prêmio ou se transformaria numa das 10 músicas mais tocadas deste nosso século, como foi o caso. São esses tipos de movimentos que vão trazendo a atenção para nossa capacidade e para nosso tamanho. Para mudar essa visão limitada de alguns, é necessário que conquistas como essas sejam mais intensas.

Este ano marca sua entrada na política pelo meio tradicional, embora a música também seja política. De onde surgiu essa vontade?

Foi a vontade de mudança que me vez olhar para a política. Algumas coisas que você vê que não está acontecendo e daí o desejo de fazer com que aconteça. Agora como secretário de Cultura, Turismo e Esportes estou planejando fazer um trabalho diferente, um trabalho voltado devidamente para essas três pastas e servir de exemplo para outras cidades. Criei importantes festivais aqui na Bahia: o Festival Internacional da Sanfona, em 2009, maior evento de Sanfona de toda a América Latina; o Festival de Forró da Chapada, em Mucugê, na Chapada Diamantina, em 2018; além do Festival de Forró de Itacaré e o Conecta Boipeba. Esses são eventos que promovo para mostrar que com boa música, com cultura, com competência, a gente consegue atrair público, a gente consegue aquecer a economia. São as formas que eu tenho usado para servir de exemplo para muita gente.

De que forma o Nordeste, como um todo, pode ser conectado com outros polos culturais do Brasil, tanto para promover a troca de experiências quanto para ampliar a visibilidade dos artistas e produções culturais locais?

Essa conexão eu já consegui fazer com esses festivais que realizo como artista e como empreendedor. Já trouxe para o festival na Bahia acordeonistas da Ucrânia, da Itália, da França, da Argentina, dos Estados Unidos, da China, de todo canto do mundo. Então é uma conexão possível e bem-vinda. Nacionalmente, trouxe músicos do Sul, por exemplo, Gilberto Monteiro, Bebê Kramer; de São Paulo, Toninho Ferragutti; trouxe Dominguinhos, trouxe Oswaldinho. Então, essa conexão com os outros polos culturais do Brasil se dá muito com esses festivais, com os encontros também que a gente vai montando. Hoje com a internet a gente torna isso muito mais fácil. É dessa forma que a gente vai conseguir expandir o Nordeste para além do Nordeste. Vamos valorizar essas conexões e essas trocas de conhecimento e de visibilidade. A visibilidade positiva do Nordeste é essencial.

Entrevista completa para download

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