O Nordeste já ocupa a segunda posição em número de startups de impacto – que promovem impacto socioambiental, contemplando tanto as que buscam mensurar o impacto, como as que ainda não o realizam –, com 21,08% do total, só ficando atrás da Região Sudeste que abriga 41,42% delas. Se juntarmos com a Região Norte, a participação do Nordeste sobe para 36%. Os dados são do Startups de impacto report Brasil 2024, elaborado pelo Observatório Sebrae Startups. O estudo foi realizado a partir do diagnóstico aplicado pelo Sebrae entre novembro e dezembro de 2023, e mapeou uma amostra significativa dessas empresas no país.
O estudo mostra que as startups de impacto, em sua maioria (79%), concentram seus esforços na resolução de problemas relacionados ao meio ambiente e sustentabilidade, além de possuírem processos direcionados para a mensuração de impacto ambiental, representando 65% das empresas pesquisadas. O maior desafio que enfrentam é o acesso a financiamento e capital, o que faz com que 46,7% das startups estejam em processo de incubação/aceleração. Outra descoberta do estudo é de que 41% das startups de impacto possuem mulheres no quadro de fundadores.
No Nordeste, o estado que está na liderança em número de startups de impacto é o Rio Grande do Norte, com 22, seguido de Pernambuco com 19 e a Bahia com 12.
No trabalho desenvolvido pelo Sebrae, compara-se o mapeamento feito com as startups de impacto com outro levantamento feito, o Startups report Brasil. Pelo levantamento, Santa Catarina é quem lidera em concentração de startups por pessoa, enquanto a Região Norte se destaca na concentração de startups de impacto – há mais que o dobro de startups de impacto em relação às sem esse perfil. No Norte há 6,86% startups e 15,69% startups de impacto. No Nordeste, 25,77% ante 21,08%. No Centro-Oeste, 5,10% ante 5,88%. No Sudeste, 32,95% para 41,42%, e no Sul, 29,32% ante 15,93%.
Apesar do crescimento no número de startups que começou a acelerar a partir de 2021, há muitos obstáculos a serem superados. A maioria ainda opera em estágios iniciais, com 22% estando no processo de ideação e 33% de validação. Apenas 3,72% chegaram ao estágio que pode ser considerado de escala. Além das dificuldades de acessar créditos, a baixa experiência de gestão e as dificuldades para se expandir para outros mercados são travas para a consolidação de muitas dessas startups.
Outro dado preocupante apontado pelo levantamento é de que mais da metade das startups mapeadas (52%) ainda não geram receitas, e apenas 1,53% tem um faturamento acima de R$ 4,8 milhões por ano. As equipes são enxutas, com 80% trabalhando com até três pessoas.
O começo
Um dos primeiros movimentos ocorridos no Nordeste para ter um polo de inovação começou no Recife, em 2000, com o Porto Digital, hoje um dos maiores distritos de inovação da América Latina, voltado para encontrar soluções para o desenvolvimento econômico, revitalização urbana e preservação do patrimônio histórico.
Há um boom de inovação longe dos grandes centros, como Sudeste e Sul do país. No Centro-Oeste, por exemplo, houve um crescimento de 189% no número de startups em um ano, enquanto a Região Norte dobrou a sua representatividade. No Nordeste, a expansão no número de startups é puxada por setores como tecnologia da informação, saúde, bem-estar e educação, representando 33% das startups da região. Embora Florianópolis e São Paulo ainda liderem o número de startups, Recife e Fortaleza já se posicionam como centros estratégicos de inovação.
Em 2024, por exemplo, o setor de tecnologia do Ceará cresceu 7,8%, o maior do país, segundo dados do Observatório Acate, um hub de monitoramento feito pela associação de tecnologia de Santa Catarina.
No ano que vem será realizada a terceira edição do Nordeste On (Neon), entre os dias 3 e 4 de julho, no Centro de Convenções de Teresina, no Piauí, uma promoção do Sebrae, que deve contar com mais de 200 startups. A expectativa é que 15 mil pessoas estejam presentes no evento.
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