Mais Nordeste, nesse começo de ano, foca na indústria automobilística chinesa que voltou sua atenção para o Nordeste, movimento que pode levar a mudanças no perfil industrial, econômico e social da região. Depois dos investimentos de R$ 5,5 bilhões da BYD, na antiga fábrica da Ford em Camaçari, na Bahia, dois outros estados, Ceará e Pernambuco, despontam como destino de montadoras do país asiático com vistas à produção de veículos elétricos e híbridos.
Também enveredamos por um problema que se arrasta há muito tempo: os últimos anos têm sido marcados por uma deterioração dos resultados fiscais, o que reforça a necessidade de ajustes estruturais voltados à sustentabilidade das contas públicas. Os estados da região Nordeste não são exceção nesse processo e ingressam em 2026 diante de trade-offs relevantes e decisões de elevado impacto no campo da política econômica e fiscal. Em termos estruturais, à exceção do Norte, é a região que concentra o maior volume de transferências correntes.
Os governos subnacionais continuam presos a um padrão de forte crescimento de despesas rígidas (pessoal e, sobretudo, previdência), baixa flexibilidade orçamentária e dependência elevada de transferências federais, limitando o ritmo dos investimentos de forma sustentada, como afirma Vilma Pinto, assessora de assuntos econômicos e sociais na Vice-Presidência da República, no bate-papo desse mês.
Com 3,3 mil quilômetros de extensão, o Nordeste é a região com o maior litoral brasileiro, respondendo por 40% de todo o litoral do país. Essa extensão nunca foi apenas um dado geográfico. O mar estruturou rotas, definiu formas de ocupação, moldou cidades, economias e culturas. Aqui, o oceano sempre foi trabalho antes de ser paisagem. Foi alimento antes de ser cartão postal. Foi risco, fé, espera e horizonte.
Foi com a expressão “it’s all true” que Orson Welles tentou anunciar ao mundo que aquela não era apenas uma história, mas um fato. Em 1941, um grupo de jangadeiros cearenses deixou o litoral do Nordeste e cruzou o mar em jangadas rumo ao então Distrito Federal, no Rio de Janeiro, para reivindicar aposentadoria, direitos trabalhistas e reconhecimento para os pescadores do Brasil. O filme ficou inacabado. A verdade, não.
Pernambuco abriu as portas para a iniciativa privada na área de saneamento: o Consórcio Acciona e BRK e o Pátria Investimentos passam a ser responsáveis pela distribuição de água e coleta e tratamento de esgotos em 175 municípios, com investimentos iniciais de R$ 19 bilhões, podendo chegar a R$ 23,2 bilhões. A concessão é por 35 anos e a Compesa, a estatal pernambucana de água e esgoto, vai continuar responsável pela produção e venda de água tratada para a concessionária.
Como Mais Nordeste tem publicado em suas páginas, o saneamento básico deve ser olhado como uma prioridade pelos governantes. O livro “A ausência que seremos”, do jornalista colombiano Héctor Abad, mostra a trajetória de seu pai, Abad Gómez, um médico sanitarista que, no começo da década de 60, já “defendia a ideia elementar – mas revolucionária por beneficiar a todos e não a alguns poucos –, de que a prioridade era a água, e os recursos não deveriam ser gastos em outras coisas enquanto todos não tivesse garantido o acesso à água tratada.
No campo político, contemplando o Brasil, desde a redemocratização, nossa última considerável utopia, este País vive a esperança e a emergência do surgimento de líderes capazes de conduzir o Estado-Nação a um realismo político, estruturado em governos e governantes, que se exprimam feitos operadores de bens públicos e valores sociais, especialmente para os mais pobres, à demanda por lograrem a redução da pobreza e das desigualdades, o que, sob o prisma coletivo, devem ser as utopias de qualquer sociedade pretensamente moderna.
A preocupação com a perda de confiança dos cidadãos nas instituições e o crescente apego a soluções políticas autoritárias levaram à busca de respostas em vários paradigmas de gestão pública. Uma das mais difundidas na América Latina nas últimas décadas tem sido a abordagem de Governo Aberto, presente em 15 países (incluindo o Brasil), que tem como objetivo promover estratégias nacionais e locais baseadas em evidências para uma segurança integrada, além de dar transparência as ações governamentais.
E as raízes culturais do Nordeste também estão presentes nessa edição. Este mês, quando muitos destinos do Nordeste parecem resumir-se ao encontro entre sol e mar, Penedo segue outro caminho. Encanta pela combinação de paisagem, história e cultura viva, numa relação íntima com o Rio São Francisco que define o ritmo da cidade. “O São Francisco é um rio que corre dentro de mim”, escreveu Guimarães Rosa – e, em Penedo, essa frase parece ganhar forma concreta.
E para fugir dos altos caches cobrados pelos artistas, Juazeiro, na Bahia, dá a largada do Carnaval do Brasil no final desse mês. Ivete Sangalo, filha da terra, é uma das atrações mais aguardadas.
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