TEXTO NA ÍNTEGRA
Os laços de Samuel Pessôa com o Nordeste estão cravados em sua árvore genealógica. Seu avô Samuel Barnsley Pessoa era filho de um médico paraibano, Leonel Estanislau Pessoa de Vasconcellos, natural de Bananeiras, na Paraíba, que se mudou para São Paulo em 1921, casando-se com a americana Anna Barnsley.

O avô de Samuel desenvolveu longa e rica carreira de professor e pesquisador, o que permitiu sua caracterização como “o grande mestre da parasitologia sul-americana”, tendo fornecido importantes subsídios para a ação contra as grandes endemias parasitárias.
Como afirmou ao assumir, em 1931, a cadeira de parasitologia da Faculdade de Medicina, procurou manter-se coerente com o objetivo de “atribuir sempre a maior prioridade aos verdadeiros problemas nosológicos do homem brasileiro”. Desde cedo, defrontado com a dura realidade social, em seus trabalhos de campo, transformou-se num ardoroso contestador de um sistema de organização social que permitia a manutenção das condições sub-humanas em que vivia a grande maioria do povo.
Perseguido pelo regime implantado com o golpe militar de 64, já que era esquerdista, foi injustamente acusado de “haver transformado seu departamento em verdadeira fábrica de subversivos” e viu extremamente dificultado seu acesso às instituições de pesquisa. Ainda assim manteve sua produtiva atividade até sua morte.
Sua escolha como patrono do Centro de Saúde Escola deveu-se, ainda, ao fato de ter sido o primeiro dirigente de uma unidade sanitária – pode-se, mesmo, dizer do primeiro Centro de Saúde Escola do Brasil – ao assumir, em 1923, a função de médico-chefe do Posto Experimental da Inspetoria de Profilaxia Geral do Serviço Sanitário de São Paulo, criado junto ao Instituto de Higiene da Faculdade de Medicina de São Paulo.
Samuel Pessôa também participou recentemente de um podcast promovido pelo Banco Mundial sobre as “Rotas de Crescimento do Nordeste” que pode ser assistido pelo pesquisador, na página 93 desta edição. Também fez estudos sobre desigualdades regionais apresentado na Anpec com o título “Existe um problema de desigualdade regional no Brasil?” (para ver o estudo acesse https://cutt.ly/ctbslAyy). (C.C.)
Edição do Mês: Link
Edições Anteriores: Link
Página do Linkedin: Link
Instagram: Link