A explicação de Mário R. Ribeiro, professor pesquisador da UFPA e doutor em economia, articula uma crítica contundente à política climática internacional, centrada no que ele denomina “Inadimplência Climática” ou “Calote” em relação ao Acordo de Paris e seus impactos na Amazônia.
A seguir, estão os detalhes do conceito e suas consequências, conforme a análise do economista em entrevista à Valéria Nascimento, nossa correspondente de Belém:

1. O Conceito de “Calote” (Inadimplência Climática) Um calote maior que o Rio Amazonas
O “calote” refere-se ao fracasso dos países ricos em cumprir as cláusulas constitutivas do Acordo de Paris, que, para Ribeiro, está “morto, absolutamente morto”.
O Acordo de Paris repousava sobre um tripé de compromissos que sustentaria o crescimento de longo prazo e a adaptação das nações mais pobres. O não cumprimento desses pontos pelos países desenvolvidos configurou a **Inadimplência Climática**:
- Financiamento: Os recursos prometidos não chegaram.
- Transferência de Tecnologia: Ficou limitada a “slides das conferências”, sem materialização prática.
- Capacitação Institucional: Nunca se concretizou.
2. Consequências para a Amazônia e o Vazio Institucional
A omissão do Acordo de Paris resultou em uma política falha que impõe o ônus da preservação à população local, sem fornecer os meios para o desenvolvimento:
- Combo de Mitigação Obsessiva: A omissão contratual resulta em uma imposição de “mitigação obsessiva e ações unilaterais” à população amazônica. A mensagem implícita dos países ricos é: “vocês cuidem da floresta, mas sem recursos para viver dela”.
- Impedimento ao Desenvolvimento Regional: A falta de cumprimento das cláusulas (Financiamento, Tecnologia e Capacitação) impede a provisão de bens públicos locais essenciais (educação, saúde, saneamento, segurança jurídica), sem os quais a inovação e o bem-estar não podem prosperar.
- O Paradoxo Amazônico: A região é “rica em recursos naturais e paradoxalmente pobre em gente”. Cerca de metade de seus 29 milhões de habitantes vive abaixo da linha da pobreza, e o acesso a bens básicos é inferior ao de países africanos de renda média. O vazio institucional e a ausência de infraestrutura transformam o conhecimento acumulado sobre a floresta em **vazio produtivo**.

3. A Crítica Central à Política Econômica Global
Para Mário R. Ribeiro, o problema central não é a existência do aquecimento global, mas a política econômica das Nações Unidas, que está equivocada ao:
“Querer obrigar as regiões mais pobres a pagar o ônus de uma promessa que cabia aos países desenvolvidos.”
O vazio institucional criado por essa omissão e a cobrança sem recursos abrem espaço para a ilegalidade, pois a população não tem meios sustentáveis e legais para desenvolver-se.
Analogia da “Casa com Tesouros”: A **Amazônia** é comparada a uma casa com tesouros inestimáveis (recursos naturais e conhecimento). No entanto, os moradores foram cobrados para construir um sistema de segurança (preservação), mas as ferramentas e o dinheiro prometidos (Financiamento, Tecnologia e Capacitação) para essa construção foram negados. O “calote” deixa a casa desprotegida, e seus habitantes sem meios para usar seus próprios recursos de forma sustentável.

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