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Alice Kohler: retratos da resistência e da cultura indígena na fotografia

Denise Martins por Denise Martins
16 de maio de 2025
em Cultura
Alice Kohler: retratos da resistência e da cultura indígena na fotografia

A arte de preservar histórias e amplificar vozes em um mundo de desafios.

Existe um Brasil onde o tempo corre no ritmo da sabedoria antiga – e a confiança floresce até num simples saco de pinhão deixado à venda na porta de uma mercearia fechada pelo feriado. Detalhe: pegue o saco e deixe o dinheiro, ou passe o pix. É nesse Brasil, profundamente brasileiro, que o calor de um bule chiando no fogão de lenha aquece o ar frio que entra pelas janelas sempre abertas – e, também, favorece os encontros, as histórias e os olhares que a fotógrafa Alice Kohler revela em seu trabalho com povos originários.

Ela vive numa casa encravada nas Terras Altas da Mantiqueira em Itamonte, sul de Minas Gerais. A cidade, conhecida pelo clima de montanha e pelo ecoturismo, faz parte do Caminho Velho da Estrada Real e repousa entre vales e picos na divisa com o Rio de Janeiro e São Paulo, onde a natureza dita o compasso da vida. A casa da fotógrafa é quase uma exposição viva. Pelas paredes e prateleiras, fotografias, artefatos e objetos criados por mãos indígenas convivem em harmonia. Há arte por toda parte. O espaço, que ela ocupou com amor e sabedoria, é um reflexo do seu olhar — o mesmo que sabe enquadrar cada cena com precisão e poesia. Cada canto parece um cenário pronto, onde ela pensa, se inspira, se renova e acolhe os amigos. É dali, desse recanto nas montanhas, que parte para as terras nativas da Amazônia e outros continentes em busca de fotografar e construir narrativas que falam de povos e seus contextos políticos e sociais.

Foi nesse cenário, em um dia frio, com a temperatura em 13 graus, que Alice recebeu a reportagem da Mais Nordeste para uma conversa marcada pelo tom espontâneo, direto e recheado de emoção. A pauta? Arte, cultura, educação e, acima de tudo, a fotografia como uma voz que não pode e nem deve calar. O fogo aceso na lareira e um café fresquinho foram suficientes para aquecer o ambiente e, quem sabe, até um pouco da alma.

Natural de Blumenau (SC), Alice Kohler é ex-atleta de saltos ornamentais, formada em educação física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e tem especialização em Administração Esportiva pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). De 1990 a 2015 atuou como supervisora de saltos ornamentais na Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). “Pra mim, sempre foi algo muito natural, pois, em casa, a prática de esportes era essencial. Aos 11 anos, comecei a me dedicar aos saltos ornamentais. No entanto, aos 14, sofri uma fratura no pé enquanto andava de skate. Com 15 anos, quebrei o braço durante a prática de ginástica olímpica, o que me forçou a interromper os saltos enquanto me recuperava. Mesmo assim, o esporte sempre esteve presente no meu cotidiano. Eu sempre me considerei uma pessoa muito energética, e o esporte ajudava a me controlar”, conta.

Nos saltos ornamentais, os desafios eram imensos, principalmente pela altura e pela complexidade dos movimentos. Era uma prova constante de superação, e a disciplina, fundamental. “Foi então que me envolvi com a competição máster. Na categoria máster, cheguei a ser vice-campeã mundial. Viajei e fui muito envolvida com esse mundo. Após esse período, comecei a trabalhar com turismo e natação, chegando a ser técnica de natação. Em uma ocasião, na Confederação Internacional de Natação, o presidente me convidou para participar de um projeto. O esporte sempre esteve presente na minha vida, de uma forma ou de outra, e a partir dele veio a fotografia”, narra Alice.

O sucesso como desportista, também migrou para a arte. Tamanha sensibilidade ligada a uma técnica criteriosa e atenta, a levaram a uma trajetória internacional marcada por viagens, projetos sociais. Desde 2005, vem registrando, com respeito e profundidade, o cotidiano dos povos Araweté, Kayapó, Assurini e outros grupos indígenas que vivem na região de Altamira, no Médio Xingu, no Pará. Seu trabalho, reconhecido pela força das imagens e pela delicadeza do olhar, já lhe rendeu diversos prêmios — só em 2013, foram três da Associação Brasileira de Arte Fotográfica (ABAF), em categorias distintas. Entre menções honrosas e exposições no Brasil e no exterior, sua trajetória seguiu sendo celebrada também nos anos seguintes, com novas premiações em 2014 e 2015 que ampliaram ainda mais o alcance do seu repertório visual.

Mergulho profundo

Após a morte do marido, veio um período muito difícil e, como que para escapar daquela dor, mergulhou ainda mais fundo em sua missão, envolvendo-se em projetos sociais com os povos indígenas — especialmente os Araweté — levando apoio em forma de material esportivo, produtos de higiene e ferramentas custeados por ela mesma. Também organizou grandes encontros indígenas, reunindo centenas de participantes em celebrações de cultura, resistência e afeto.

No site onde apresenta seu portfólio, uma frase se destaca logo de início, como um resumo preciso de sua trajetória: “Seu olhar aguçado e exigente capta o que nossos olhos não enxergam, e o frenesi de suas lentes registra a beleza e a essência de povos que não conhecemos”. É exatamente isso que se vê em cada imagem assinada por Alice Kohler — um convite ao encontro, ao respeito e à escuta de mundos que insistem em existir, apesar de tantas tentativas de apagamento.

Alice, com sua aparência forte e determinada, faz questão de ressaltar suas críticas severas ao preconceito e à desinformação que ainda imperam no Brasil. “São necessários mais respeito e educação. O Brasil não conhece o Brasil. Falta muita educação, até mesmo para quem ensina”, afirmou, com um olhar firme e convicto. A sua fala não soou como um lamento, mas como um chamado à ação.

O trabalho de Alice, que promove uma profunda conexão com as comunidades indígenas, não recebe apoio governamental. “Eu faço isso por conta própria”, explicou, com a voz cheia de realidade. “Os recursos que invisto são do meu bolso. Ninguém me financia. A carreira esportiva que tive foi a grande inspiração para o trabalho que desenvolvo com essas comunidades.” Ela acredita que o esporte, como a arte, tem um poder transformador, capaz de dar voz a quem muitas vezes não tem. E, ao olhar seu trabalho, fica claro que a paixão por essas causas está diretamente conectada à experiência de vida que ela construiu.

A paixão pela fotografia a acompanha desde jovem. Em 1977, durante um intercâmbio nos Estados Unidos, chegou a estudar fotografia. Mas, ao voltar para o Brasil, veio a pressão do vestibular e a rotina intensa como atleta dos saltos ornamentais. “Eu nem sabia por onde começar uma carreira na fotografia — naquela época, isso nem era visto como uma profissão de verdade. E sendo filha de alemão, não tinha conversa: era estudar e trabalhar. Acabei entrando na educação física, mas nunca abandonei o esporte pela fotografia — eu fiz fotografia dentro do esporte. Quando comecei a trabalhar na Confederação de Natação, há mais de 20 anos, eu já era fotógrafa e apaixonada por isso. Meus relatórios eram todos fotográficos. Como eu coordenava as seleções olímpicas e viajava o mundo com elas, aproveitava para registrar tudo. Como o fotógrafo oficial quase nunca podia ir, eu mesma fazia as fotos e mandava para os jornais. Então, a fotografia sempre esteve comigo, lado a lado com o esporte.”

Desde que pisou nas comunidades indígenas do Médio Xingu, o Brasil passou a fazer da sua maior arte, uma voz para o mundo. Suas fotografias são documentos da vida real dos povos originários com quem criou laços e ganhou respeito ao se integrar às tradições, crenças, cerimônias, cultura numa conexão real com eles e a natureza. Para mostrar tudo isso se integra a esse cotidiano seja na arte, na pesca, nos rituais. Os registros fotográficos viraram exposições nacionais e internacionais passando pelos Estados Unidos, Portugal, Peru, Inglaterra, França. No Brasil, realizou várias exposições como “Áfricas: Herero, Himba, Pokot e povos nômades”, no Memorial Chico Xavier. “Sou uma pessoa inquieta, cheia de curiosidade. Como vivi a vida inteira como atleta, a preguiça nunca fez parte de mim. Acho que é essa curiosidade que dá alma às minhas fotografias — o desejo genuíno de conhecer gente, culturas, lugares diferentes pelo mundo. No fim das contas, sou muito feliz. Amo viver. Este planeta, pra mim, tem um valor imenso.”

Raízes, perdas e reencontros

Poucas experiências na vida são tão transformadoras quanto uma perda profunda. No caso de Alice, a dor de perder o companheiro — músico, professor e um espírito iluminado — em poucos meses, a levou a um ponto de ruptura. “Foi um golpe duro. Perdi o chão, chorei por dois anos sem conseguir parar”, conta. Ele havia sido seu porto seguro durante 15 anos: um homem que a acalmava, a incentivava e a mostrava outras formas de viver e sentir.

Mas antes mesmo dessa despedida, Alice já estava trilhando um caminho paralelo com um trabalho social com comunidades indígenas depois de atuar no governo do Pará, onde conheceu de perto os “Jogos Indígenas”. Com o tempo, os convites para visitar as aldeias foram mais frequentes. Vinda do Rio de Janeiro, sua decisão de aceitar esses convites foi vista com surpresa pela família. “Meu pai dizia: ‘Você está doida? Vai pegar malária na Amazônia agora?’”, relembra, rindo.

Foi então que embarcou rumo à floresta. A primeira parada foi com os Araweté — um dos últimos povos a serem contatados no Brasil. Recebida com respeito e curiosidade, ela mergulhou na rotina da aldeia. Aos poucos, foi percebendo as necessidades e passou a atuar em frentes que iam desde a doação de utensílios básicos até a organização de grandes eventos esportivos indígenas. “Quando eu vi, estava envolvida com várias aldeias e projetos. Organizei um evento com 700 índios no Médio Xingu. Consegui patrocínio de chuteira, uniforme que veio dos Estados Unidos – inclusive eu não consigo mais porque tem que importar. Se eu conseguisse um contêiner vindo de lá, eu patrocinava esporte para todos os índios do Brasil”, lamenta.

Entre viagens e projetos, ela se equilibra entre o Brasil e a França. Alice, aliás, tem um pé na terra — no sentido literal e simbólico. Neta de colonos catarinenses, comprou um pedaço de chão em Minas, construiu uma casa e cultivou vínculos. Lá, recebe amigos, cultiva plantas e ouve música ao lado do violão e da câmera. “Tenho um filho na Alemanha, que não se interessa muito pelo meu universo indígena ou pela fotografia. Acho que tem um pouco de ciúmes, mas faz parte. Quando você vive intensamente, tem que saber dividir.”

Sobre o Brasil atual, fala com firmeza e um misto de tristeza e esperança: “A nossa educação é rasa. O preconceito é alimentado pela ignorância. Cada povo indígena tem uma organização social própria, com suas regras, liberdades e visões de mundo. Mas, aqui, a gente tende a impor nosso jeito como o único certo”. Para ela, o maior desafio nacional está na falta de empatia e na ausência de respeito pelo que é diferente. “O Brasil é muitos Brasis. E a nossa educação ainda é muito pequena. A gente carrega muito preconceito — e, na maioria das vezes, por pura ignorância. Cada povo indígena, cada comunidade, tem sua própria sociedade, com valores, liberdades e regras que não seguem o nosso modelo. E a gente insiste em julgar. A primeira coisa que devíamos aprender é sobre o respeito ao outro e à sociedade dele — mas isso quase nunca acontece. O brasileiro está perdido, porque nem conhece o Brasil. Aquela frase antiga é verdadeira – o Brasil não conhece o Brasil. São tantos povos, línguas, culturas que a gente mal ouviu falar… e já rejeita, já rotula. Por que o indígena tem que falar português? Por que tem que viver como a gente vive? Casar-se com uma só pessoa, seguir as mesmas normas? Quem disse que o nosso jeito é o certo e o deles é o errado? Falta educação, cultura, respeito. Nosso povo é mal-informado, bairrista, preconceituoso. Quem mora no Sudeste, por exemplo, muitas vezes nunca pisou no Norte, não sabe quem é o povo de lá. Eu mesma só fui conhecer o Norte aos 35 anos — e nunca mais saí. É outro país. Tudo começa pela educação e pelo respeito. Inclusive na política. Respeito e consideração. E isso está em falta em todos os níveis”, arremata.

Mesmo depois de ter rodado o mundo, o que mais a tocou não foram monumentos ou metrópoles, mas sim o essencial: a pureza do ser humano. “Viver com pouco, sem esse apelo ao consumo, te aproxima do que realmente importa. A simplicidade, o vínculo com a natureza, com a terra. A gente esqueceu que mora aqui. E a natureza responde quando a gente cuida dela.”

E, com tantas andanças, é comum perguntarem: “Tem alguma história engraçada?”. Ela sorri. “Várias! Mas acho que o mais engraçado é perceber que, para eles, quem é do outro planeta sou eu. Uma loira, de câmera na mão, querendo aprender sobre a cultura deles.” E complementa com humor: “Até brasileiro me pergunta se eu sou brasileira!”

Esse espírito explorador, segundo ela, vem de casa. A infância foi regada a liberdade, viagens, barcos, acampamentos. “Na minha casa, ninguém dizia ‘não vá’, só ‘cuidado com as doenças tropicais’”, brinca. Desde pequena, ela fazia as próprias malas e aprendeu que estrada e mundo são escolas.

E se pudesse voltar no tempo? “Teria brigado menos. Fui muito briguenta, pouco paciente. Quem me ensinou sobre empatia foi meu marido.”

Às vésperas da COP30: livro e exposição sem apoio

Em meio ao avanço do desmatamento e das ameaças aos povos indígenas da Amazônia, o trabalho da fotógrafa brasileira Alice Kohler ganha destaque como um importante registro documental e instrumento de conscientização. Parte dessa trajetória está reunida no livro Encounters: The River is Life, finalizado em 2017, mas que até hoje aguarda apoio financeiro para ser publicado.

A obra compila imagens feitas por Kohler ao longo de décadas nas margens do Rio Xingu, revelando o cotidiano de diversas etnias, como os Araweté, Kayapó, Parakanã e Xikrin. A publicação também critica os impactos de grandes obras, como a usina de Belo Monte — um megaprojeto de geração de energia construído no Rio Xingu, no Pará, que alterou drasticamente o curso do rio, afetou a biodiversidade local e forçou o deslocamento de comunidades indígenas e ribeirinhas. Apesar de sua promessa de desenvolvimento e abastecimento energético, Belo Monte se tornou um símbolo dos conflitos entre progresso econômico e direitos socioambientais na Amazônia. A obra denuncia a vulnerabilidade crescente desses povos frente ao desmatamento, à exploração econômica e à exclusão política. Sua abordagem combina a estética da fotografia com o engajamento ético, reforçando que preservar a Amazônia é também preservar culturas, saberes e modos de vida milenares. Com participação de pensadores indígenas e acadêmicos, Encounters propõe um encontro de mundos — onde a arte e a escuta atenta podem inspirar novas formas de coexistência com a natureza.

A proposta de uma exposição internacional com as fotografias do livro também enfrenta falta de investimento, apesar da relevância artística e socioambiental do projeto. Recentemente a exposição chegou ao Brasil e está guardada na casa dela. “Já fiz vários contatos visando, inclusive, à 30a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), a ser realizada em Belém (PA), em novembro de 2025. Busco contatos, empresas e o próprio governo, para valorizar um trabalho real e riquíssimo das comunidades indígenas da Amazônia”, destaca. De acordo com estimativas da Fundação Getulio Vargas (FGV), são esperados mais de 40 mil visitantes durante os principais dias da Conferência. Desse total, aproximadamente 7 mil compõem a chamada “família COP”, formada pelas equipes da ONU e delegações de países-membros. “As fotos que eu faço nas aldeias são possíveis porque eu vivo com eles. Estou ali 24 horas por dia, com o olho atento e o coração aberto.”

Em uma entrevista publicada no The Guardian, o jornalista e ativista ambiental David Hill trouxe visibilidade internacional à exposição, reforçando a urgência das questões abordadas por Kohler. A fotógrafa afirma que todos os aspectos da vida Araweté estão em risco: a caça, a agricultura, a água potável, os rituais, os saberes tradicionais e o apoio comunitário.

Sua fotografia dinâmica, influenciada por sua experiência como fotógrafa esportiva, convida à contemplação sensível da vida indígena. Nas palavras da própria Alice: “A vida deles me afeta… e eu mudei”. E talvez seja essa a grande lição de Alice: viver com presença, com intensidade, com olhos e alma atentos. Aos aspirantes da fotografia aconselha: “Você tem que entender sua câmera e treinar seu olhar. Fotografar é olhar, é ver o que mais te interessa e ir atrás. O resto… é luz”.

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Leia também: “Tradição e fé: os grupos de penitentes em Juazeiro da Bahia”

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