Matopiba é uma importante região agrícola formada pelos estados de Tocantins e partes do Maranhão, Piauí e Bahia, que serão cortados pela Transnordestina. A região tem aumentado a sua produção de grãos, especialmente, de soja que já representa 12,3% da produção nacional n safra 2022/2023. Boa parte dessa produção poderá ser escoada pelo Porto de Pecém, no Ceará, e de Suape, em Pernambuco, reduzindo os custos logísticos e ampliando a competividade dos grãos brasileiros.
A região possui algumas características que destacavam o lugar, até então, na produção de gado. Até a década de 1980 uma das principais atividades do local era a criação de gado no formato extensivo.
A topografia plana e o baixo custo das terras comparado às áreas consolidadas do Centro-Sul levaram alguns produtores rurais empreendedores a investir nessa nova fronteira agrícola. A expansão aconteceu sobre áreas de cerrado, especialmente pastagens subutilizadas, e só foi possível pela disponibilidade de tecnologias para viabilizar os plantios nas condições locais. Os sistemas de produção são intensivos desde a implantação e buscam alta produtividade.
Segundo projeções do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA),em dez anos, os quatro estados alcançarão uma produção de 48 milhões de toneladas de grãos, com aumento de 37% e área cultivada de 11 milhões de hectares até 2032/33.
Projeções indicam que essa região, nova fronteira agrícola do país, deverá produzir 22,6 milhões de toneladas de grãos no ciclo 2023/2024 e uma área plantada de grãos entre 8,4 e 10,9 milhões de hectares ao final do período das projeções. Na safra 2013/2014, Matopiba produziu 18,6 milhões de toneladas.
A produção de milho também é importante, sendo utilizado tanto para o consumo interno quanto para suprir a demanda internacional, especialmente na Ásia e Europa. Também se produz, arroz, milho e algodão, além da soja, principal produto da região.
Esses produtos agrícolas contribuem para a balança comercial brasileira, tornando o Matopiba essencial para a economia nacional. Investimentos em técnicas de agricultura de precisão, irrigação avançada e manejo sustentável do solo aumentam a produtividade e permitem que a região acompanhe a demanda global.
Essa modernização também abre portas para uma agricultura mais sustentável, alinhando-se a práticas exigidas pelo mercado internacional e agregando valor à produção.
Com o avanço, ainda lento, da Transnordestina, será possível escoar a produção da região pelos portos de Pecém e de Suape, ampliando a presença do Nordeste no PIB brasileiro, já que está estagnado em cerca de 13% nos últimos anos.
Além de produção agrícola, outros empreendimentos e propriedades fazem parte das delimitações do local. Conforme dados divulgados pela Embrapa, a região é composta aproximadamente por:
- 324 mil estabelecimentos agrícolas
- 46 unidades de conservação
- 35 delimitações de terras indígenas
- 781 assentamentos de reforma agrária
A região é dividida em quatro estados, sendo 33% no Maranhão, 38% em Tocantis, 11% no Piauí e 18% na Bahia.
Como a região só começou a se desenvolver recentemente, a infraestrutura ainda é deficiente. Várias rodovias cortam a região, bem como a Ferrovia Norte-Sul. Está sendo construída, ainda lentamente, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste que vai dar grande impulso ao escoamento da produção local rumo aos portos do Nordeste.
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