Os riscos de 2027
Em política só há duas coisas, o fato novo e o fato consumado, dizia Thales Ramalho (1923-2004), deputado pernambucano que, ao lado de Ulysses Guimarães e Tancredo Neves, foi um dos artífices da redemocratização. O fato novo nessas eleições foi o crescimento da direita em todo o país. E o fato consumado foi a mensagem do eleitor de evidente insatisfação. O desejo de mudança foi melhor captado pelos partidos de direita, e o perfil conservador do Legislativo foi reforçado, com larga vantagem para a oposição, hoje liderada pelo PL.

A direção que será dada ao futuro governo para atender a esse desejo difuso pelo novo ainda não está clara, diante da falta de oferta de ideias inovadoras e de debates por parte dos candidatos que chegaram ao segundo turno. Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tinham duas semanas, até o dia 25 de outubro, para indicar o que e como pretendiam fazer para enfrentar os desafios de reequilibrar as contas públicas, preservar direitos sociais, levar o país a uma rota de crescimento e conciliar as conturbadas relações institucionais entre os Poderes da República.
Em uma eleição marcada pelo forte papel de influencers e de uma disputa intestina entre os juízes do Supremo Tribunal Federal (STF), que tiveram papel preponderante nessas eleições, puxando votos para candidatos que se elegeram com slogans “impeachment no STF”, quem sair vitorioso poderá ter dois problemas: se for Flávio, apesar de ter maioria no Congresso, a ânsia de bolsonaristas em cassar juízes, colocar em pauta temas de costumes que Jair Bolsonaro não conseguiu emplacar, pode atrapalhar a votação de pautas econômicas essenciais para o país.
Na outra ponta, se Lula for o eleito, terá pela frente um Congresso hostil, com a maioria do PL e do Centrão, o que poderá inviabilizar a governabilidade.
Já no Nordeste, dos nove estados, somente o Rio Grande do Norte teve segundo turno para governador entre o União Brasil e o PT. Algumas lideranças políticas importantes da região não se elegeram para o governo ou Senado, como Ciro Gomes, – sua terceira derrota consecutiva em pleitos –, ACM Neto, Renan Calheiros, Ciro Nogueira.
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