O Fio Cortado: A Crise Bilionária que Silencia o Vento do Nordeste
Elbia Gannoum, a Pioneira da Energia Limpa, Expõe o Ponto Cego do Setor
Elbia Gannoum é mais do que a presidente-executiva da ABEEólica desde 2011; ela é uma das primeiras economistas a decifrar as mudanças no nosso setor energético desde o final da década de 90. Com formação sólida e atuação como enviada especial de energia para a COP30, ela está habituada a mapear o futuro. Contudo, em sua análise, o presente da indústria eólica brasileira é marcado por um paradoxo amargo e um prejuízo alarmante.

O Brasil, com seu Nordeste abençoado pela constância e qualidade dos ventos, consolidou uma matriz eólica robusta, ultrapassando 30 GW de capacidade instalada. No entanto, o setor vive sua primeira grande crise — a Crise Energia Eólica Nordeste — freando o ritmo de expansão e gerando incerteza.
O Custo da Ineficiência: R$ 5 Bilhões em Energia Desperdiçada
A materialização dessa crise tem um nome técnico — curtailment — e uma cifra que choca: R$ 5 bilhões de prejuízo acumulado desde 2021 para a indústria de energias renováveis.
O problema é a incapacidade do sistema de transmissão de absorver toda a energia gerada, levando o ONS (Operador Nacional do Sistema) a determinar o corte na produção. Os números são drásticos:
Em 2025, o volume de energia rejeitada pelo curtailment chegou a 4,3 mil GWh, o que representa 18,5% do total gerado. Este volume é 230% maior do que os cortes registrados em todo o ano anterior.
O Ponto Cego do Sistema: A Geração Distribuída

Em sua fala, Elbia Gannoum aponta o foco do desequilíbrio, que surpreende a lógica, ao dizer:
“O problema não está na autoprodução por grandes consumidores, mas sim na baixa demanda de energia em determinados horários e aumento exponencial da geração distribuída.”
A distorção ocorre porque os sistemas de GD (painéis solares em telhados e terrenos menores) não estão sujeitos aos cortes de geração do ONS. Assim, para evitar a sobrecarga do Sistema Interligado Nacional (SIN), os cortes recaem sobre os parques de maior escala (eólicos e solares centralizados), que suportam o ônus financeiro e operacional, levando ao adiamento e cancelamento de novos projetos no Nordeste.

O Chamado de Gannoum: Soluções Estruturais e Urgentes
Para reverter o cenário e destravar o potencial da energia limpa, o setor defende um pacote de medidas que exige ação coordenada entre reguladores e mercado. Elbia Gannoum é enfática:
“A solução precisa ser conjunta: regras de mercado, reforço de rede, marco de armazenamento e mecanismos de compensação.”
Entre as propostas estruturais estão:
- Megabaterias e Armazenamento: A regulamentação e o investimento em grandes baterias para estocar o excedente.
- Expansão da Transmissão: Ampliar urgentemente a malha de linhas para escoar a produção do Nordeste.
- Compensação de Cortes: Criar um mecanismo temporário de ressarcimento para as perdas financeiras.
O Brasil possui uma das matrizes mais limpas do mundo, mas está falhando em gerenciar sua própria abundância. Para entender em profundidade o diagnóstico de Elbia Gannoum e os detalhes das soluções propostas, convidamos você a ler a entrevista completa.
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A matéria completa está disponível na edição de Outubro de 2025 da Revista Mais Nordeste: https://online.fliphtml5.com/mlgzb/reqn/index.html

